*As 3 Marias*

10.09.2006

Nosso primeiro convidado (e que convidado...)

“Forte é permanecer quieto”. Por mais que queira, não posso escrever esta frase sem as aspas. Sim, é uma citação, um plágio na verdade, já que não citarei seu respectivo autor. E tenho motivos. Um, na verdade, mas já me parece suficiente: irei criticá-la. Já que não me pertence irei exercer minha função de ser humano e criticar tudo que me é alheio. E onde entra a não citação do autor nisso tudo? Ele é reconhecido, e qualquer reconhecimento impede a crítica. Todo e qualquer tipo de importância dada a um indivíduo, desde que pelas pessoas certas, faz-nos, meros apreciadores leigos, pensar duas vezes antes de criticar qualquer assunto. Quem já teve a audácia necessária para criticar ferozmente a nona, ou mesmo a quinta de Beethoven; Tolstoi com seu “Guerra e Paz”; “Esperando Godot” de Beckett ou mesmo a Guernica de Picasso. São todas obras que receberam todo louvor possível, e, exatemente por isso, tomamos como certo que são de uma perfeição indiscutível. Se não nos agrada, é porque não foram corretamente entendidas. E se assim o foram, falta a coragem necessária para expressar a opinião própria. O problema está na supervalorização da crítica e, principalmente, no endeusamento daqueles que a exercem profissionalmente. Sem dúvida são estes maiores conhecedores que nós do tema abordado, mais experientes e detentores de uma sensibilidade muito mais aguçada que a nossa, porém não é baseado nestes artifícios que é feita a arte. A arte tem como objetivo principal provocar emoções desconhecidas ao homem, enaltecer sentimentos escondidos, gerar um conflito interno e insaciável dentro dele. É característico de cada um como se dará a reação a tais estímulos. A arte da própria arte reside na negação ao maniqueísmo do bom e do ruim, do bonito e do feio. É ela uma das únicas escapatórias do homem aos preconceitos socialmente estabelecido do certo e do errado, do socialmente aceito e do inaceitável. A inércia da aceitação às críticas deve ser extinta, banida. É necessária uma valorização da opinião pessoal, já que é a esta que se destina a arte. Artistas são considerados pela crítica como inquestionavelmente bons são, sim, os mais questionáveis. É da arte deles que mais se espera, e é exatamente desta que decorre a decepção. É, portanto, a decepção, um sinal de imposição da opinião própria perante a critica, o que não é, em sentido algum, um mal sinal. Machado de Assis escreve sim para ser criticado, a Mona-Lisa não é necessariamente o mais valioso quadro e, certamente, forte não é permanecer quieto, mas sim o silêncio, já que é ele que impõe ao homem o ato de permanecer quieto.

Thomas Humpert

9.28.2006

Cinema

O cinema (finalmente) retrata o 11 de Setembro

Carregado de drama e emoção, o lançamento cinematográfico do mês, “Vôo 93”, é um relato fiel dos exatos 91 minutos em que os passageiros e a tripulação estiveram nas mãos dos terroristas muçulmanos

Por Bruna Rodrigues

O mundo não é mais o mesmo depois do dia 11 de setembro de 2001, data que entrou para a história da humanidade. Pela primeira vez, os símbolos da hegemonia norte-americana foram atacados por terroristas da Al Qaeda, movimento fundamentalista islâmico liderado até então por Osama Bin Laden. No total, foram mais de três mil mortos em quatro atentados diferentes; as duas torres do World Trade Center, o Pentágono e a Casa Branca eram os alvos a serem atingidos. Com exceção do último, os outros três planos obtiveram sucesso e fizeram que, tanto a vida dos americanos, como do resto do mundo, mudasse completamente.
Hollywood precisou de cinco anos para encarar a tragédia e produzir filmes que tratassem, diretamente, dos ataques terroristas. A estudante Bia Scheuer que viaja anualmente para Nova York lembra que, “para os Estado Unidos, o 11 de Setembro foi uma morte e, depois de toda morte, há um período de luto”. Somente neste ano, quando se completam cinco anos do ocorrido, o cinema dá sua resposta à crise política e mostra como os atentados surpreenderam todo o país. E é exatamente isso que o diretor inglês Paul Greengrass mostra em seu filme “Vôo 93”.
Lançado este semestre, o documentário conta a história do único avião que não atingiu o local desejado, a Casa Branca, e caiu na Pensilvânia. O filme reconstitui, nos mínimos detalhes, o seqüestro do vôo 93 da United Airlines que acabou em um acidente trágico e sem sobreviventes.
Além de contar com as falas autênticas dos passageiros e com os depoimentos dos familiares das vítimas, Greengrass não pretende criar heróis ou apontar culpados. O que o diretor faz questão de ressaltar é a luta pela sobrevivência daqueles 40 passageiros que mal entendiam o que estava ocorrendo, afinal a rivalidade entre islâmicos e norte-americanos era ainda pouco conhecida.
A produção deixa de ser apenas uma homenagem aos mortos e se torna uma reportagem dramática com altas doses de realismo, justamente o que o estudante de cinema André Vellozo observa: “é fácil perceber que todos ali estavam interessados em fazer algo que não fosse um mero dramalhão baseado em uma catástrofe”.
O filme acompanha, paralelamente ao embarque dos passageiros do vôo, a trajetória dos quatro terroristas que, por pouco, não perderam o controle da situação e foram dominados pela própria tripulação. Apesar de terem cometido uma atrocidade, é interessante notar como os muçulmanos estavam aflitos e nervosos, até porque sabiam do imenso risco que corriam. “Fizeram um ótimo trabalho ao humanizar os terroristas, principalmente quando um deles liga para esposa e se despede dizendo que a ama”, acrescenta Vellozo que considera o filme uma obra de arte.
A técnica de filmagem é inusitada. A câmera foi posicionada estrategicamente em apenas dois lugares, na torre de comando do aeroporto e no próprio avião seqüestrado, com objetivo de passar a inquietação vivida por aquelas pessoas. Enquanto alguns acreditam que este recurso aproxima o público da situação e faz com que ele sofra junto com os protagonistas, a estudante Bia discorda: “Há muitas pessoas falando ao mesmo tempo e a câmera treme e perde o foco constantemente. Fiquei muitas vezes confusa”.
Por mais que a crítica tenha elogiado o resultado final e reconhecido que o cinema americano esteja se aprimorando nos últimos tempos, as opiniões ainda são variadas. “É uma enorme falta de respeito ganhar dinheiro às custas da morte de cinco mil pessoas”, lamenta o brasileiro Willian Lima que mora atualmente em Lisboa e diz que, assim como no Brasil, o filme se tornou um sucesso de bilheteria em vários países da Europa.
Insatisfeita com o resultado final, Bia classifica “Vôo 93” como uma produção tipicamente “hollywoodiana” e tendenciosa. “Não passa de um filme de ação como qualquer outro, não chega a tocar e confortar os expectadores na medida que é preciso”, argumenta a estudante e ressalta que, apesar de cinco anos decorridos da tragédia, muitas dúvidas e fatos inexplicáveis ainda rondam os ataques daquele dia.
Todos sabiam que este assunto geraria enorme polêmica na sociedade e foi o que efetivamente aconteceu. O que não se pode negar é o interesse da população em reviver, nem que seja por meio do cinema, a confusão, o desencontro de informações e a impotência das pessoas perante uma das ações terroristas mais ousadas de todos os tempos.
Somente no fim de semana de estréia a renda de “Vôo 93” ultrapassou US$ 1,5 milhão e toda a verba foi destinada ao memorial construído na Pensilvânia, o que não deixa de ser uma homenagem aos mortos. Vale lembrar que, há dois meses, o documentário foi exibido na televisão norte-americana. Transmitido pelo canal A&E, o programa chegou a ser considerado o mais visto na história da emissora, com cerca de 6 milhões de telespectadores,
Realismo ou ficção? Para tirar esta dúvida, nada melhor do que ir ao cinema e sentir na pele como foi a terrível experiência daqueles que foram vítimas da rivalidade política, econômica e religiosa que permanece até os dias de hoje entre esses dois extremos. É uma boa oportunidade para vivenciar uma situação inédita, que jamais se repetirá, o que não deixa de ser a grande virtude do cinema.

9.20.2006

*As 3 Marias*

*As 3 Marias*


A última crônica

Por Fernando Sabino


A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever.A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho -- um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido — vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

Texto extraído do livro "A Companheira de Viagem", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1965, pág. 174.

9.02.2006

Você já sabe em quem vai votar?


As eleições 2006 estão chegando e muita gente não sabe em quais candidatos irá votar. Em meio a tanta corrupção e escândalos que envolvem os políticos de nosso país, muitas vezes acabamos deixando de lado um assunto tão importante.

Na maioria das vezes, já temos preferência em relação aos cargos de presidente, governador e senador. Mas, quando precisamos escolher candidatos a Deputado Estadual e Federal, ficamos sempre em dúvida. O espaço na propaganda eleitoral é tão pequeno que eles mal não conseguem apresentar suas propostas. E nós, eleitores, não temos a oportunidade de conhecer seus históricos e projetos já realizados (ou aqueles que nem saíram do papel).

Pensando nisso, o Blog *As 3 Marias* dá uma dica de site para facilitar sua escolha. Acesse:

http://perfil.transparencia.org.br/

Lá, você vai encontrar o perfil de todos candidatos à Câmara dos Deputados 2006 e pode fazer com que a sua decisão seja a mais consciente possível. Não custa nada tentar, certo?

Vale a pena conferir!

*As 3 Marias*

8.30.2006

Depois de um tempo sem escrever, quero falar do Grupo XIX



Demorei para fazer essa segunda atualização, mas agora vai...
Quero falar sobre o Grupo XIX de Teatro, que eu conheci ano passado. Eles estão em cartaz com duas peças, Hysteria e Hygiene, na Vila Maria Zélia.
Em Hysteria, o elenco é exclusivamente feminino. A peça retrata o cotidiano de cinco mulheres internadas em um hospício carioca, no final do século XIX. A casa na Vila Maria Zélia parece parte do cenário, enquanto os homens ficam sentados e enfileirados como em um teatro, as mulheres ficam "espalhadas" pelo espaço cênico. Quando assisti, me sentia parte integrante daquela história. Além disso, as atrizes interagem com o público, ou seja, você realmente faz parte da história.
Hygiene "anda" pelas ruas da Vila e fala sobre os imigrantes que viviam no Brasil no final do século XIX. Os temas são a vida em cortiços, a febre amarela, luta operária, entre outros que são mesclados e formam uma trama muito bem entrelaçada. O elenco, formado por 3 mulheres e 3 homens, se reveza para fazer vários papéis, todos são excelentes.
As duas peças são criações coletivas do Grupo XIX, eles se reúnem por meses para fazer pesquisa e criação. Hysteria, a primeira criação do grupo, chegou a ser apresentada na França. Ao final dessa temporada, o grupo começará as pesquisas para a próxima criação. Os atores do Grupo XIX são, na sua maioria, estudantes ou formados pela EAD, a Escola de Artes Dramáticas da USP. E o diretor é Luiz Fernando Marques.
A Vila Maria Zélia, local onde as peças são encenadas, foi construída entre 1911 e 1916, e inaugurada em 1917. Nela moravam operários da Companhia Nacional de Tecidos de Juta. Ainda é possível ver casas antigas e conservadas, mas a maioria delas foram descaracterizadas, ou estão em estado de abandono total, apesar da vila ter sido tombada pelo Condephaat ( Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo), em 1992. Além das peças serem muito boas, conhecer a Vila Maria Zélia também vale o passeio.
Hysteria está em cartaz aos sábados, às 16h, e Hygiene aos domingos, às 16h, até 1/10. O endereço é: Vila Maria Zélia, Rua dos Prazeres, 362, Belenzinho. Telefone para reservas: 8283-6269
O site do Grupo XIX é www.grupoxixdeteatro.ato.br
Até mais,
Marília
ps. A foto foi tirada do site www.francebrazil.com/theatre
e é a foto de divulgação da peça na França.

8.23.2006

Para começar, nada melhor do que Clarice...




Yes! Pela primeira vez eu vou atualizar o blog. Por onde posso começar? Tenho tanta coisa em mente... Vou falar primeiro de tudo que eu gosto muito. E eu gosto muito de ler contos da Clarice Lispector. Pronto, achei uma idéia. Vamos começar então...

Apresento-lhes Clarice...

Acredito que a maioria de vocês já ouviu falar (ou leu) um de seus livros, “A hora de estrela”, obra obrigatória para o vestibular. Eu li e recomendo. Ótimas reflexões e situações tão ridículas que se tornam muito engraçadas. Mas algumas pessoas não gostaram, se irritaram com a pobre Macabéa e descontaram essa raiva na Clarice. Eu ainda insisto: vale a pena ler (mesmo).
O vestibular passou, eu estava de férias, até que um dia, numa livraria do Guarujá, peguei um livro chamado “Aprendendo a viver”. Achei o título bacana e, quando fui ver o autor, levei um susto. Adivinhem??? Clarice Lispector, é claro. Comprei o livro na hora e posso dizer que é um dos melhores que já li em toda minha vida. É uma coletânea de contos que Clarice escreveu para o Jornal do Brasil nas décadas de 60 e 70. Simplesmente o máximo!
É impressionante como Clarice consegue traduzir em palavras certos sentimentos. Ela é completamente diferente de qualquer outro(a) escritor(a) porque parece que conversa diretamente com o leitor. O tom é informal, mas o teor da conversa é profundo, pessoal e capaz de deixar qualquer pessoa refletindo por muito tempo. Clarice me fascina.
Para mostrar tudo isso que falei, escolhi um dos meus contos preferidos. Espero que gostem,

Volto na semana que vem,

Bru


O Impulso

Publicação:29-março-1969


Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. Há um perigo: se reflito demais, deixo de agir. E muitas vezes prova-se depois que eu deveria ter agido. Estou num impasse. Quero melhorar e não sei como. Sob o impacto de um impulso, já fiz bem a algumas pessoas. E, às vezes, ter sido impulsiva me machuca muito. E mais: nem sempre meus impulsos são de boa origem. Vêm, por exemplo, da cólera. Essa cólera às vezes deveria ser desprezada; outras, como me disse uma amiga a meu respeito, são cólera sagrada. Às vezes minha bondade é fraqueza, às vezes ela é benéfica a alguém ou a mim mesma. Às vezes restringir o impulso me anula e me deprime; às vezes restringi-lo dá-me uma sensação de força interna.
Que farei então? Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.

8.20.2006

Uma história forte em um filme fraco


Apesar de ter tido pouca repercussão na mídia o filme sobre a vida da estilista Zuzu Angel tem muita importância para a sociedade brasileira. Afinal, Zuzu Angel não é apenas o nome de um túnel no Rio de Janeiro. Como se não bastasse ser uma das precursoras da moda brasileira no exterior, Zuzu foi também uma mãe que perdeu seu filho na ditadura e que a partir disso não teve medo de se expor para que todos soubessem o drama que vivia.
No papel principal a atriz Patrícia Pillar dá conta do recado. O que incomoda é o "jeitão de novela" que toma conta do filme em alguns momentos e que acaba deixando o filme fraco, apesar da história forte.Vale lembrar que a Globo Filmes é uma das realizadoras do projeto. Mas mesmo quem discordar do modo como o filme foi feito não pode negar que a história de Zuzu Angel e de seu filho Stuart Angel é um retrato dos tempos da ditadura.
Nos anos 70, no auge de sua carreira, Zuzu Angel começa uma incansável busca por seu filho militante político que desapareceu durante a ditadura militar. Aos Poucos, Zuzu descobre que seu filho está morto e quer ter o direito de enterre-lo. Por travar muitas lutas contra o regime militar Zuzu acaba sendo alvo deles e morre num acidente de carro.
Na trilha sonora a música que se destaca é Angélica, que foi composta por Chico Buarque em homenagem a estilista um ano após a sua morte.
"Quem é essa mulher que canta sempre esse estribilho. Só queria embalar seu filho, que mora na escuridão do mar. Quem é essa mulher que canta sempre esse lamento. Só queria embalar o tormento, que fez seu filho suspirar"

Até mais,

Marília

8.19.2006

Olá,

Eu sou uma das Marias, Isabella.
Se você ainda não sabe o que fazer nos próximos dias, aí vão algumas sugestões interessantes e que valem a pena serem conferidas.
Do dia 20 a 27 de agosto acontecerá a 4ª Edição do Bourbon Street Fest. A idéia deste evento é apresentar a São Paulo os ritmos mais autênticos da Louisiana, como Jazz, Blues, Funk e muito mais. Tudo isso acontece como no famoso festival Jazz & Heritage de New Orleans. Você poderá assistir as apresentações no palco do Bourbon Street Music Club, no Parque Ibirapuera ou no Palco Street. Para obter mais informações é só acessar o site http://www.bourbon.com.br/ ou telefonar para (11) 5095-6100.
Para quem gosta de balé moderno, o “Grupo Corpo” está no final de sua temporada em São Paulo. Hoje e amanhã no teatro Alfa (Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, tel. 5693-4000) acontecerá à apresentação das peças “Onqotö” e “Missa do orfanato”, às 21h no sábado e às 18h no domingo. O preço: R$ 30 a R$ 70.
Não deixe de comparecer a este espetáculo. Pois, sem dúvida, esta companhia é considerada uma das mais famosas do Brasil. Com trabalhos enérgicos que submerge o espectador a uma contemplação visual, exaltando as infinitas possibilidades do corpo em movimento, do virtuosismo, da precisão e da expressividade dos dançarinos.
Ah, e não deixem de visitar o site http://www.pandora.com/. Lá, você dá a dica de uma banda. E, com base nisso, o Pandora constrói uma rádio só para você. Não é o que há de melhor no mercado musical atualmente!?


¡Hasta luego!

♣ Isabella

8.13.2006

Bem-vindo ao mundo das 3 Marias!


O Blog “As 3 Marias” é o recorte do cotidiano de três amigas que pretendem, neste espaço, falar de diferentes assuntos. Muitos temas serão abordados, idéias discutidas e dicas recomendadas (ou não, caso não seja algo bacana).
Toda semana, novas atualizações serão feitas pelas “Marias”: Bruna, Isa e Marília. E, sempre que possível, um convidado também dará sua contribuição.
Voltamos em breve,

*As 3 Marias*